
C E R A . Q U E N T E
V E R S Ã O . 2 . F A T . A N D . 2 . F U R I O U S
Julho 30, 2004
O pão nosso de cada dia
Seis da tarde, eu parada na fila da padaria esperando ser atendida. Um monte de gente na minha frente. Suspiro e me deixo ficar. Planejo me desligar até a hora de ter que falar com a atendente, mas não consigo porque começo a perceber que todas as pessoas fazem o seguinte pedido:"Me dê x pães, DOS MAIS BRANQUINHOS..."
E a cada pessoa que é atendida, a mesma frase. Qual o problema das pessoas com os pães moreninhos? É racismo? Já chegou na classe das massas?... Logo me vem essa lembrança na cabeça: minha mãe chama homem bonito de pão. O que é meio antigo, mas é até engraçadinho para não dizer que faz sentido. Então, enquanto ouço a mesma ladainha na fila, imagino uma padaria que vende homens, ostenta esse enorme letreiro na frente fazendo alusão à qualidade dos pães. Tem de todos os tipos possíveis e imagináveis. Na vitrine dos brioches está o Tom Cruise; Na dos croissants, o marido da Débora Bloch; Na dos pães carecas, o Bruce Willis; Na dos sonhos, Keanu; na dos pães pretos, Denzel Washington. A verdade é que todos os produtos são maravilhosos. Mas as mulheres na fila sempre pedem os mais branquinhos, sem exceção. Até que sou a primeira da fila. A atendente mais bem-humorada do mundo (é claro) me olha com a cara de interrogação esperando o meu pedido. Seis pães, eu digo. E ela pergunta se quero os mais branquinhos também.
- Tanto faz. Eu quero de qualquer tipo. Só exijo que sejam pães e não roscas. - eu digo.
Ela já está separando os homens para mim quando sou arrancada do meu transe porque chegou a minha vez na vida real:
- Seis pães... e um sonho. - eu peço.
Current music:
(nice dream) - Radiohead
dito por Leela | 5:12 AM |
|
Julho 28, 2004
The blood that moves the body
Hoje, sentada no cinema antes do filme começar, ouvi a mulher na fileira de trás falando a respeito de frustração. Dissertando por horas, dando voltas nas mesmas palavras e, conseqüentemente, não chegando a lugar algum. Além da vontade de virar pra trás e mandá-la calar a boca, eu tive vontade de ilustrar com uma lembrança da minha infância. Não tem nada de triste na história, mas o conceito de frustração cabe como luva.
Eu tinha oito anos. Sempre tive um gosto por coisas, digamos, bizarras. Adorava os filmes de terror desde cedo... Num dia, como qualquer outro, larguei minhas barbies sem cabeça e resolvi derreter com fósforo a cera de um brilho labial que eu tinha. A idéia era pingá-la no chão para dar a ilusão de ser sangue, já que o brilho era vermelho. E assim eu fiz. Ia da sala até o meu quarto, como uma trilha. Contemplei por alguns segundos a minha obra-prima e finalmente passei para a parte mais legal: chamar minha mãe e assustá-la com aquele sangue misterioso.
Não entendi porque quando mostrei o meu feito com ares de *que medo* ela me olhou com aquela cara de resignação. E o grito de pavor? Ela deve gritar a qualquer momento, pensei. Mas não, ela me tomou pelo braço gentilmente, me levou para o quarto dela e teve "a conversa de mulher para mulher" comigo. Depois de tudo, voltei pro meu quarto estupefata. Sentei na cama, olhei o brilho labial e abri o berreiro. Eu só queria que minha mãe se apavorasse um pouquinho para minha diversão pessoal e acabei com sermão sobre absorvente. Isso que eu chamo de frustração... genuína.
dito por Leela | 2:40 AM |
|
Julho 26, 2004
Eu?
Eu não sou ninguém em especial. Nasci como todo mundo nasce. Cresci como todo mundo cresce e gosto de pensar que estou vivendo. Embora sobrevivendo seja uma palavra mais próxima. Falo o que sinto pois acho que os sentimentos não cabem dentro de um mísero coração. É preciso liberá-los no vento para que eu possa respirar. Parei de achar definições para mim. Não me rotulo mas me critico. E viver com essa auto-crítica às vezes é complicado. Aceito críticas desde que não tenham o intuito de me agredir (o que tenho encontrado muito por aí). Sou gente. Fujo, e muitas vezes me escondo da vida lá fora porque aqui dentro é bem mais seguro. Sou uma mulher como qualquer outra. Tenho medo e tenho coragem. Uso e abuso da mesmice. Me utilizo dos clichês que mais detesto. Não sou moderna. Gosto só dos meninos. Quero achar alguém um dia que tope envelhecer comigo (sei que não é tarefa fácil). Quero produzir um ser geneticamente em parceria com alguém que eu ame. Quero olhar para meu filho e reconhecer traços de seu pai. Quero me reinventar para que ninguém saiba o que pretendo. Quero ir para outro país. Quero falar outras línguas. Quero não precisar ser eu para saber quem eu sou. No fim das contas, posso dizer que existo. Mas isso é característica de todos nós.
Current Music:
Muzzle
Smashing Pumpkins
i fear that i am ordinary, just like everyone
to lie here and die among the sorrows
adrift among the days
for everything i ever said
and everything i've ever done is gone and dead
as all things must surely have to end
and great loves will one day have to part
i know that i am meant for this world
my life has been extraordinary
blessed and cursed and won
time heals but i'm forever broken
by and by the way...
have you ever heard the words
i'm singing in these songs?
it's for the girl i've loved all along
can a taste of love be so wrong
as all things must surely have to end
and great loves will one day have to part
i know that i am meant for this world
and in my mind as i was floating
far above the clouds
some children laughed i'd fall for certain
for thinking that i'd last forever
but i knew exactly where i was
and i knew the meaning of it all
and i knew the distance to the sun
and i knew the echo that is love
and i knew the secrets in your spires
and i knew the emptiness of youth
and i knew the solitude of heart
and i knew the murmurs of the soul
and the world is drawn into your hands
and the world is etched upon your heart
and the world so hard to understand
is the world your can't live without
and i knew the silence of the world
dito por Leela | 12:49 PM |
|
Papo estranho de gente esquisita
Fabio diz:
Não deu, sabe? Ela era muito comum... muito igual a todo mundo. Monótona.
Leela diz:
Monótona como?
Fabio diz:
Em todos os sentidos, mesmos assuntos de todas as mulheres, cabelo igual, corpo igual, cara igual, unhas de cor igual... fiquei com tédio.
Leela diz:
Nossa, você me perdeu no começo dessa tua declaração bizarra! Como assim igual a todas as mulheres? Desde de quando você não gosta de todas as mulheres?
Fabio diz:
Eu gosto, mas queria alguém pra ficar junto. Ela não serve.
Leela diz:
E nem mulher nenhuma, né? Já que ela é igual a todas...
Fabio diz:
Queria alguém mais como você. Diferente...
Leela diz:
Whoa! Diferente para minha profissão significa portador de deficiência... rs
Fabio diz:
rsrsrsrs... eu quis dizer autêntica.
Leela diz:
Só pra eu saber: isso é um elogio?
Fabio diz:
É. Claro que é. Seria o que?
Leela diz:
Considerando meu perfil psicológico, eu diria que quando alguém me chama de diferente eu fico, no mínimo desconfiada. E eu tô fazendo todo esse exercício de conscientização para me sentir integrante do mundo... normal, igual... você não está ajudando.
Fabio diz:
Não?
Leela diz:
Não mesmo. Fora a minha paixão por botas, meu fanatismo por cinema, minha obsessão pelo Keanu Reeves, minha gana de colecionar meias coloridas, eu achar que o papagaio entende quando falo com ele porque responde, a imagem cinematográfica que tenho da vida, a minha atração por japoneses e o fato de que tenho fugido de todos os homens que surgem... eu sou absolutamente igual.
Fabio diz:
Sabe o que acho mais impressionante?
Leela diz:
?
Fabio diz:
Você fala tudo e qualquer coisa que vem na tua cabeça. Quando não irrita, é hilário.
Leela diz:
Hmpf! Eu sabia que aquilo não era elogio. Mas se você pensar bem... o diferente é você que procura alguém que te irrite como eu.
Fabio diz:
É disso que estou falando... Se eu falasse isso pra aquela garota tudo seria diferente. Ela ia rir, pensar um pouco, me dizer uma frase de efeito, pensar se ia dar pra mim ou não e a noite seguiria no estilo mundo da barbie.
Leela diz:
O que quer dizer? Que não penso antes de?
Fabio diz:
Não! rsrsrs... é que com você, eu nunca sei qual é a próxima reação. Quando você percebe que pode ser você com alguém, fica diferente de tudo. É interessante.E é um elogio.
Leela diz:
Putz, então é pior elogio que já recebi... tô me sentindo mal a respeito e tudo. Na minha cabeça doente você disse que sou meio neurótica, instável, tenho dupla personalidade, sou difícil de lidar e mandona.
Fabio diz:
HUahuahuahuahuhaua... só quis dizer que você não é vazia.
Leela diz:
Claro que não... tô gorda como uma vaca...
Fabio diz:
Nada a ver com isso...
Leela diz:
E aí? Já está com saudades das garotas "normais"?
Fabio diz:
Confesso que começo a ter saudades delas...
Leela diz:
Nem precisa agradecer. Usar a esquisitice a serviço dos amigos é sempre renovador.
dito por Leela | 3:39 AM |
|
dito por Leela | 2:09 AM |
|
Julho 24, 2004
dito por Leela | 4:17 PM |
|
"Deep thoughts"
Tudo muito bem, a vida é bela, viver é bom e todos esses clichês, mas Lenny Kravitz não podia ter alisado os cabelos. E tenho dito.
dito por Leela | 12:50 AM |
|
Julho 21, 2004
O poder da diferença
Estava aqui olhando meus cabelos crescerem quando o cara das persianas (lembram?) ligou.
- Oi, é Daniel. - disse a voz do outro lado
- Daniel? Que Daniel? - eu pergunto daqui.
- Daniel das persianas. - ele responde com uma voz de decepção.
- Ah, claro! Daniel das persianas! Como vai? - me faço de simpática.
- Eu vou bem e você como está? - ele tentando ganhar tempo.
- Bem. Você quer falar com a minha mãe? - fico curiosa achando que o problema das persianas já está resolvido.
- Não. Quero falar com você mesmo. Esperei você me ligar. Como você não ligou... - ele me explicou e eu já ouvia música na minha cabeça quando ele arrematou:
- Pensei em te levar num churrasco no sábado, vai ter um pagodinho, vou jogar uma pelada com os amigos. Lá é tranquilo, meu filho vai estar lá, a mãe dele também...Acho que você ia gostar, depois a gente podia dar uma esticadinha num lugar aqui perto... é bem limpinho e tudo.
Pára tudo!! Eu não consigo nem dizer quantas coisas tem na frase acima que demonstram uma total e completa falta de afinidade. Primeiro: Eu não suporto pagode; segundo: eu sou vegetariana; terceiro: eu não agüento futebol e HELLO? Filho e ex-mulher? Lugar limpinho e tudo??? PelamordeDeus, alguém me diga que não é o que penso que é. Sorri em deboche e propus:
- E se fôssemos ao cinema? Depois numa festa?
- Ah, eu não gosto de cinema não. Acho uma babaquice, tudo falso... Não tenho paciência pra ficar sentado duas horas vendo bobagem ou me esforçando pra entender a mensagem do filme. Sabe colé? - ele recusa. "Não, eu não sei qual é. Eu adoro cinema, sabia? Quer dizer que você não tem capacidade de raciocínio ou abstração para assistir a um filme?" - pensei, mas só disse que sábado não tava bom pra mim, pois eu tinha esse compromisso (com o bom-senso). Ele ainda fez a última tentativa:
- Que festa é? Tipo boate? Rola um axézinho?
- Hmm... o telefone tá apitando, a bateria vai acabar. Preciso mesmo colocar na base. Falo com você depois, ok? - me despedi.
Atire a primeira pedra quem seria capaz de aceitar o convite! Foi mal, mas eu não pude. O poder da diferença às vezes é cruel. Como eu disse antes, eu fico com as persianas...
dito por Leela | 11:37 PM |
|
Fine by me
Foi dada a largada na corrida pelos empregos. Amanhã tenho uma prova e hoje uma redação para testar o meu inglês. Espero que alguém lá em cima goste de mim e entenda que preciso trabalhar pela grana e também pela minha sanidade mental. E digo isso pensando nos outros. Se eu pirasse de vez seria realmente perigoso. As pessoas já começam a me comparar com uma personagem que fala com objetos inanimados, né Fábio? Mas tudo bem, eu adoro essas interpretações que as pessoas fazem de mim. Sempre rio a respeito. Por falar nisso, hoje é um dia no qual estou particularmente feliz. Talvez por ter sido surpreendente para mim a quantidade de pessoas para as quais mandei um cartão ontem pelo dia do amigo. Talvez pelo movimento, talvez por de repente me encontrar apaixonada. Por ninguém em especial, na verdade. Pela vida, pelas pessoas... feliz por ser, só isso.
Current Music:
When you smile - Flaming Lips
dito por Leela | 12:50 PM |
|
Julho 20, 2004
Porque propaganda é a alma do negócio...
Passagem rápida para avisar que tem texto meu no
mondo redondo. Eu demorei, mas voltei. E a quem interessar possa não pretendo mais abandonar o barco mondano.
dito por Leela | 2:36 AM |
|
Julho 19, 2004
Stop
Não sei a vida dos outros, mas a minha tem trilha sonora e é constante, pelo menos é o que as vozes na minha cabeça sussurram. Foi ontem sentada com uma amiga assistindo um filme (alguém tem que ceder, de novo!) que a música na minha cabeça parou subitamente. Igual tirar a agulha de cima do vinil. EPA! Eu gosto desse filme porque me identifico com a protagonista. O que é que tem? Tem muito problema. A personagem principal, interpretada por Diane Keaton, é uma mulher de mais de 50 anos, que sofre com os preconceitos e uma auto-estima minada graças à sua idade, é controladora e usa a força que tem para se manter isolada dos outros. Como assim? Eu só tenho 26 anos, o que é a idade perfeita. Veja bem: já não dependo da mamãe, sou de maior, já me formei... eu deveria estar aproveitando. Conversei com uma psicóloga amiga minha. Ela acha que estou em depressão. Deve ser porque você está desempregada, ela disse. Sendo assim, hoje acordei cedo, pra variar, e fui mandar uns currículos. Espero arrumar algo logo... pena ter que deixar o meu seguro-desemprego, cuja primeira parcela eu recebi hoje, para o governo. Mas não se pode ter tudo, né mesmo? E assim, sem música, fiz um monte de coisas hoje e o dia nem chegou à metade. Foi depois que sentei aqui e percebi que começo a reagir que a música na minha cabeça voltou a tocar. Qual é a música? (parafraseando o Seu Sílvio) É Time do Marion...
Vivo editando tudo...mas ao ler este post de novo a música na minha cabeça mudou.
Agora é:
Current music
Where is my mind? - Pixies
dito por Leela | 12:16 PM |
|
Julho 15, 2004
Sobre homens e persianas
Depois de muita conversa sobre decoração, eu e minha mãe decidimos que queremos colocar persianas feitas sob medida em casa. Ligamos pra loja, chamamos alguém para tirar as medidas das janelas e fazer um orçamento. Eis que no dia marcado, minha mãe precisou sair emergencialmente e só fiquei eu em casa, dormindo é claro, já que continuo trocando os dias pelas noites. Fui acordada nesse dia pelos toques irritantes do interfone, rosnei algo parecido com alô e acabei tendo que falar com o coitado do cara que tinha marcado hora com minha mãe a respeito das persianas. Deixei que subisse para me entregar o cartão dele... afinal são tempos difíceis, nenhum vendedor quer perder uma boa venda. Dei um daqueles nós (de quem não vai se pentear) no cabelo e o atendi. Tudo bem, até abrir o vidro e dar com a beldade masculina das lojas de persianas. Fiquei sorrindo feito idiota, afinal são tempos difíceis e homens bonitos não batem na porta todos os dias. Depois que ele foi embora lembrei que estava com a cara amassada e de pantufa de burrinho. Aí eu me senti otária.
Num outro dia, ele finalmente veio para fazer o tal orçamento. Ficamos de conversa mole sobre papagaios, filhos e relacionamentos. Ele é um daqueles malandros que tem filho e tá doido pra ter outros com a pobre coitada que se habilitar, já que ele não pretende casar nem se juntar com alguém. Disse que quer ter três filhos. Mal sinal, pensei. E ele me perguntou me chamando pelo nome e tudo: "Quantos filhos você quer ter?" "Um, é claro!" - eu pensei, mas a resposta saiu mais ou menos assim: "Realmente três é um bom número..." (pára o mundo que eu quero descer) Mas o que diabos foi isso? Tô emburrecendo muito mais rápido do que pensei. Não sei de onde tirei a idéia de que sei fazer esses joguinhos. Eu não tenho o menor talento para isso. Na verdade sou do tipo que é pedida em casamento e não percebe a menos que o cara me sacuda pelos ombros e repita o pedido gritando. Sendo assim, não sei porque acho que vou me sair bem nessa. Tenho esse cartãozinho com o celular dele. Já olhei o pedaço de papel por horas, mas realmente quando penso no que fazer com ele me vem esse vazio na cachola (o velho "duh" do Homer). Acho que não vou fazer é nada, que é o que sempre faço (ou não): absolutamente nada. Hmpf! Tem dias que fica tão claro para mim o porquê de eu estar sozinha... Quanto as persianas, minha mãe decidiu pesquisar mais... Tudo bem, devemos comparar preços, mas porque ela, que nunca faz isso, resolveu começar justo agora? Eu sabia que não era eu... é um complô universal para me fazer virar freira. Agora tudo faz sentido... Parece que vou ficar só com as persianas, pelo menos com elas eu sei lidar...
Current Music:
No surprises - Radiohead
O código
Esse é o meu:
Pegue o seu
dito por Leela | 9:40 PM |
|
Julho 14, 2004
Addicted
Todo mundo cria certos vícios estéticos e morais durante a vida. E isso depois pode ficar no caminho no relacionamento com outras pessoas. Estranho isso é. Pra quem não entende do que estou falando, vou ilustrar com o caso de uma amiga que adora violoniostas (não me mate, eu não disse quem é!), é mais ou menos assim:ela tem uma atração imediata por homens que tocam violão. Não é uma futilidade, é um vício de julgamento. Assim como eu gosto dos japoneses, ela tem essa coisa meio de pré-requisito com aqueles que tocam violão. Mas outro dia, pensando comigo, tracei o perfil da estrutura do meu caso. A parte oriental todo mundo já sabia, mas existem outros aspectos. Por exemplo, adoro os músicos também, em especial os que fazem rock com instrumentos de corda (vulgo guitarra e baixo), adoro também aqueles que tem vasto conhecimento de cinema e TV... E mais um monte de outros pequenos dados que se transformaram nesse vício de pré-conceitos. Afora os positivos, existem também os aspectos negativos, que eu racionalmente julgo mais absurdos ainda. Exemplo? Eu não suporto homens que contam vantagem ou fazem drama. Simplesmente não aturo. O que concluí é que tudo isso não deixa de ser preconceito, embora eu não discrimine ninguém por sua cor, situação econômica, local de origem ou peso - que seriam as formas de preconceito que são comuns. Quando fazemos certos julgamentos de preferência, podemos estar reproduzindo a o conceito discriminatório pela diferença também. Acho que todo mundo devia pensar um pouco nisso, já que é mais comum do que se imagina. Nem eu sei o que é somente questão de gosto e o que já é valor inventado por mim.
Há algum tempo atrás, tinha para mim que não gostava de homens loiros, até aparecer o cara que veio colocar as persianas aqui em casa... Mas isso é história pra outro post.
Current music:
Erase/Rewind - The Cardigans
Obs.: Eu tenho medo do Caetano cantando Smells like teen spirit, muito medo. Kurt Cobain, com certeza, está se revirando no caixão.
dito por Leela | 12:16 AM |
|
Julho 12, 2004
Terapia de choque
Raciocinando em cima de minha psicologia de boteco, decidi que quando se detesta uma coisa, é necessário ter várias experiências com o objeto do detestar para que se possa ou ficar curada do mal que antes me afligia ou então saber, com propriedade, que o não gostar é autêntico e imutável até que mude... Não, é claro que não se aplica ao meu medo de baratas.
Resolvi assistir a todos os filmes românticos que tive acesso neste final de semana. Não sei se por loucura ou por masoquismo mesmo. O importante é que descobri algo sobre os meus gostos. Eu gosto dos filmes românticos que não mostram a mulher como um ser que precisa conhecer artimanhas e joguinhos para ficar com o galã no fim do filme. Gosto daqueles que falam sobre mulheres comuns e homens simples. Nada de prostitutas e yuppies ou anjos e mortais, muito menos aqueles que tratam o comportamento feminino como loucura. Quanto às comédias românticas só gosto daquelas que sabem dosar exatamente o humor... isso é muito muito raro. Um exemplo de comédia romântica que deu certo? Harry & Sally (e eu odeio todos as outras estreladas por Meg Ryan). Descobri também que os anos 90 produziram alguns filmes diferentes desses cheios de lugares-comuns. Sobre pessoas simples, de vidas normais (dependendo do que se julga normal), e histórias verossímeis. É o que descobri a meu respeito: as histórias que têm o amor como base são sempre muito enfeitadas e fantasiosas, e é isso que não gosto. Não me entendam mal, eu gosto de ficção, acho que o cinema pode ser ilusório, mas acho que não cabe nesse gênero. Me irrita. Entretanto, quando alguém faz algo próximo da realidade, como qualquer mulherzinha, eu choro até perder o fôlego. Pois é, acho que sou normal.
Os p.s(s):
# 1- Desculpem-me pela minha ausência no blog de vocês, tá tudo meio complicado por aqui, mas aparecerei nesta semana.
# 2- Titanic não pode ser considerado filme romântico. É só ruim e pronto.
Current Music:
Lonesome tears - Beck (não, não é dèja vu... Eu estou ouvindo a mesma coisa)
dito por Leela | 2:43 AM |
|
Julho 8, 2004
Eu e o clichê
Eu odeio as comédias românticas! Cada vez mais. Principalmente em certas fases... é só assistir uma pra ficar me debulhando em lágrimas. Que raiva! Logo eu que adoro filmes de terror, adoro filmes com carnificina... a-d-o-r-o! Agora que estou ficando velha (é a única explicação), choro por qualquer filme meia-bomba que tenha um pouco de romance. É a decadência mental de uma pessoa, daqui a pouco estarei lendo Danielle Steel e coisas do gênero (credo!). Às vezes penso que a liberação acerca do comportamento feminino andou rápido demais para as mulheres. Porque a sociedade continua patriarcal e obviamente nós, mulheres, ainda reproduzimos seus valores. Não porque não temos noção das coisas, mas porque nascemos inseridas nesse mesmo âmbito social. Não há como não fazê-lo. Só se o contexto social fosse modificado. E acontece, que nada está mudando neste sentido. Existe certa confusão dos papéis femininos e masculinos hoje, mas é como se no fim das contas, ambos os sexos desistissem e simplesmente fizessem as coisas à moda antiga (e machista). Eu me pergunto se a relação homem x mulher tem mesmo que ser tão complicada...é isso que destrói ou é isso que torna mais interessante?
***
- O que se passa aí dentro? - ele me pergunta por e-mail.
- Se eu soubesse talvez pudesse sorrir mais vezes. - respondo com outro. O que faz de mim estúpida porque a resposta é fácil. E consiste no fato de que ele está em Portugal e eu aqui. Simples assim. Cada um dos amigos de uma pessoa fazem uma falta de doer.
Current Music:
Lonesome tears - Beck
P.s.: Eu gosto mais de Beck do que eu pensava.
P.s.²: Neosaldina é a minha religião em certos dias do mês.
dito por Leela | 11:39 AM |
|
Julho 7, 2004
Sabe aquela sensação de falta de assunto? É o que sinto agora em relação ao blog. Parece um daqueles silêncios desconfortáveis entre duas pessoas, ambas se olham apreensivas e sorriem com cara de bobas achando que vai dar pra disfarçar. Prefiro me declarar sem assunto por hoje, já que tenho esse pensamento fixo na cabeça que julgo o mais boçal de uma vida. E é claro que não vou dizer a que se refere, mas é assim:"Deve ser rosinha, adoro quando é rosinha." Só sei que isso fica se repetindo na minha cabeça como um refrão... e por isso me lembro de Henry Miller em Sexus que tinha um pensamento recorrente bem sem sentido também (fino ou superfino?) ou isso, ou me lembro daquelas cenas de Simpsons quando Homer tenta pensar, a parte superior da cabeça é focalizada e ouve-se o sonoro: "duh!"
É mais ou menos isso...
É como eu disse, nada interessante acontecendo no andar de cima...
Current Music:
Beck - Already dead
dito por Leela | 10:35 AM |
|
Julho 5, 2004
A diferença entre homens e mulheres em termos práticos
- Vou ficar pouco tempo porque quero assistir o jogo. O que tem na sacola? - ele pergunta
- Um dvd que comprei. - respondo prontamente.
- Ah é? Qual é? Deixa eu ver... - ele diz já fazendo avanços com as mãos em direção à minha sacola.
- Ah, é um filme chamado "Virando o jogo"... não é conhecido. - tento me esquivar.
- Deixa eu ver! - ele exclama tirando a sacola das minhas mãos e alcançando a caixa do filme.
- Keanu Reeves... tinha que ser... isso tá ficando doentio, não? - ele me repreende com ares de sabe-tudo.
- Não acho. Se eu curto olhar para ele, é natural que vá comprar seus filmes para olhar por mais tempo. - respondo
- E mais... você acha futebol doentio? - pergunto
- Claro que não. - ele estranha.
- Deveria achar... você deixa de fazer as coisas para assistir futebol, chora porque seu time perdeu, tem bandeiras do time espalhadas no seu quarto inteiro, briga pelo time, apanha pelo time, diz que é flamenguista doente... Se formos nos basear na sua colocação anterior, eu acho que é bem mais grave o seu caso... - analiso.
- Ah, que é isso!? Futebol é diferente... é paixão! Paixão nacional! - ele exclama empolgado.
- Diferente...Deixe-me ver se entendi. Se for do gosto da maioria é normal? Tipo, porque alguém disse que era? - tento raciocinar junto.
- Não... porque é muito bom! É devoção! Não é igual a um cara qualquer... - ele explica.
- Não concordo. - atalho.
- Por que? - ele pergunta.
- É a mesma coisa que acho do cara: muito bom... - exemplifico.
- É? mas e a devoção?- ele retruca em tom de desafio.
- Tenho pela bunda dele... uma enorme devoção! - respondo.
- Touché! 1 x 0 para você! - ele sorri e me beija a testa.
dito por Leela | 1:36 AM |
|
Julho 2, 2004
Ainda da série "Eu sou William Foster"
Hoje eu acordei com uma parte da gengiva doendo e de TPM, traduzindo, minha cara diz por si para ninguém me encher hoje. Eis que o psicopata ex-noivo japonês me liga, nem eram 9 da manhã ainda. Com um papo, que é o que ele sempre usa quando não resolve ficar em silêncio, de me perguntar se fui eu que liguei para ele. Eu respirei e contei até dez, mas não adiantou não. Respondi que não tinha ligado, mas ele estava começando a me irritar e completei: "Por que você não pega esse cartão que usa pra me ligar e dá para aquele seu amiguinho lindo de Osaka me dar uma ligadinha?"... Bem, ele desligou. Acho que desse já me livrei.
Mas eu me lembrei mesmo da vez que me assustei com minha reação de fúria na rua. Era 1999, eu recém tinha colocado o piercing no umbigo e é lógico que infeccionou. Era um mundo de cuidados para facilitar a cicatrização. Um dia, estava indo pro trabalho, novamente no metrô. Enquanto eu descia as escadas, vinha essa mulher subindo. Não há explicação do porquê ela estava vindo por ali, já que do lado estava a escada rolante de subida e funcionando. Ao passar por mim, eu não sei como, ela me deu um esbarrão exatamente no meu umbigo infeccionado. Fiquei estática com a dor e não disse nada, não dei nem um gemido. Eis que nesse tempo, ela se volta para mim e me diz um palavrão dos mais cabeludos.
Eu poderia tê-la ignorado, ou ter xingado de volta ou até mesmo perguntar por que ela me xingava, mas não. Meu braço tomou vontade própria e a socou com toda força bem no meio das costas, eu me lembro perfeitamente do som meio oco. Eu não disse palavra, nem ela que subiu o resto dos degraus quase correndo até ganhar a rua. As pessoas em volta me encarando com os olhos esbugalhados. Comprei meu ticket e entrei no metrô assustada com a minha reação. Cheguei a pensar depois o que aconteceria se ela tivesse voltado... eu não estava bem-humorada naquela manhã, provavelmente a mataria. Por isso que digo que quem avisa, amigo é. Não mexa comigo hoje.
Current Music:
Hyper Ballad - Björk
dito por Leela | 3:16 PM |
|
Julho 1, 2004
William Foster will never leave the building
Lua cheia. Significa um monte de coisa pra muita gente. Pra mim significa que amanhã estarei de TPM. Deve ser por isso que estou, digamos, estourada hoje. O final de semana também promete ser o pior de todos os tempos, mas eu sou guerreira. Apesar dos pesares me mantenho, resmungando ou louca pra morder alguém, mas me mantenho. Ainda tem o ex-noivo psicopata que liga 16 vezes seguidas do Japão e fica em silêncio quando atendo. Hoje é aquele dia em que todos os tiros saem pela culatra... Ou isso, ou estou fadada a não ver as coisas boas (ao menos neste dia). Hoje no mercado, ao fazer compras, a mulher do caixa veio com uma de "posso te dever 20 centavos?"... Eu poderia ter dito sim e ter subido a rua, mas retruquei perguntando porque eu não poderia ficar devendo cinquenta. Junto com meu tom de voz, a minha cara deve ter sido um plus porque eu fiquei devendo os benditos 50 centavos. É complicada essa coisa de incha, volta ao normal, sangra, retém líquidos, vontade de chorar, vontade de matar, cólica, carência, necessidade de ficar só... tudo ao mesmo tempo. O que compensa é que passa... A quem eu tô tentando enganar? O que compensa é fazer maldade com quem não gosto sem remorso nenhum e ainda com a desculpa de estar de TPM.
Eu sou dessas pessoas boazinhas com estranhos, simpática e todas as outras coisas que mamãe me ensinou, mas implico e me vingo de coisas pequenas. Houve uma época que tomava o metrô todos os dias de manhã para o trabalho. Num dia específico, faltou 1 centavo para comprar meu ticket. Eu que não gosto de pedir favores a ninguém estranho, já atrasada, pedi a bilheteira para deixar que lhe devesse a quantia.O que ela respondeu com categórico não. Foi alguém que tava atrás de mim na fila que me deu esse 1 centavo. Eu já não trabalhava de manhã, no dia que ela fez a mim a mesma pergunta, que eu, logicamente, fiz questão de responder retribuindo a resposta dela de outrora. Sei que se formou essa fila gigantesca atrás de mim, já que a mulher teve que ir sei-lá-onde buscar o resto do meu troco. Saí de lá radiante quando ela jogou a moeda no balcão bufando. Ainda dei um tchauzinho cretino para arrematar. Taí: esse foi um bom momento. Outro? A minha vizinha fofoqueira que já sabe que a minha suposta gravidez foi um sarro com a cara dela e não me cumprimenta mais. Mal sabe que a cara feia que faz é como pintura de Magritte para mim... Adoro ver e mais, não preciso mais aturar as tentativas da fulana de fofocar sobre a vida alheia para mim. É só. Mais um dia de fúria na minha pacata vidinha...
Current Music:
Soul to Squeeze - Red Hot Chili Peppers (na época que ainda eram uma banda decente)
dito por Leela | 10:14 PM |
|
Copyright © 2004-2005 - All rights reserved
Layout by 1Greeneye & Leela